Nokia procura agência digital

Janeiro 29th, 2008 de Wal Bauer

Gigante dos celulares redefine estratégia global das comunicações online ao
mesmo tempo em que seu market share alcança, pela primeira vez, a marca de
40%
Cibele Santos
24/01 - 13:49

A finlandesa Nokia abriu revisão para sua verba de marketing digital, de
valor não revelado, que será concentrada em uma única rede com presença
multinacional. Segundo notícia do BrandRepublic desta quinta-feira, 24, a
rede vencedora (representada por uma ou mais agências) assumirá as
comunicações online da maior fabricante de celulares do mundo, o que inclui
desde estratégia digital até propaganda online e web design. Hoje, as verbas
são divididas em bases locais entre diferentes agências, como a Farfar na
Suécia, a R/GA nos EUA e a Agency Republic no Reino Unido.
A revisão, que sinaliza um foco maior em ações online, é mais um passo do
reposicionamento estratégico iniciado em julho de 2007 com a indicação da
independente Wieden & Kennedy (EUA) para a criação global, enquanto a JWT
foi encarregada da implementação das campanhas em mais de 80 países (o
arranjo também vale para o Brasil). As medidas foram reforçadas em dezembro
passado com a promoção de Chris Leong, responsável pelo marketing na China,
para a coordenação global.
Resultados financeiros
Também nesta quinta-feira, a Nokia divulgou seu balanço de 2007, reportando
ganho de 46% dos lucros (total de 7,9 bilhões de euros, ou US$ 11,6 bilhões)
e de 15,6% das margens operacionais (contra 13,3% em 2006).
O market share global do último trimestre do ano atingiu pela primeira vez a
marca de 40%, contra 39% no trimestre anterior e 36% no mesmo período de
2006. Com exceção da América do Norte e América Latina, todas as regiões
registraram ganhos de share.
A divisão de celulares, que entregou 133,5 milhões de aparelhos entre
outubro e dezembro (27% acima do ano anterior), gerou receita total de 7,4
bilhões de euros no trimestre (avanço de 5% sobre igual período anterior),
com os maiores crescimentos registrados no Oriente Médio, África e
Ásia-Pacífico. Mas as receitas da América do Norte, América Latina e, em
menor escala, da Europa, “caíram significativamente”. O lucro operacional
cresceu 48% (para 1,9 bilhão de euros), estimulado por melhores margens
brutas. O preço médio dos celulares, de 82 euros no 3º trimestre, avançou
para 83 euros mas continuou inferior aos 89 euros do ano anterior,
refletindo em parte a desvalorização do dólar.
Concorrentes
Segundo o britânico Financial Times, os resultados da Nokia reforçam sua
liderança sobre as rivais Samsung, da Coréia do Sul (que em 2007 substituiu
a Motorola no segundo lugar do ranking global) e a SonyEricsson (joint
venture entre a sueca Ericsson e a japonesa Sony), na quarta posição. Já a
Motorola, líder dos EUA e nº 3 do mercado, perdeu 84% dos lucros no quarto
trimestre e prevê novo prejuízo no primeiro trimestre de 2008.
De acordo com estimativas da Nokia, o mercado global de celulares cresceu
16% no 4º trimestre, para 336 milhões de celulares, somando 1,14 bilhão de
unidades nos 12 meses. Esse número será 10% maior em 2008, prevê a empresa,
mas os preços de venda continuarão pressionados pela crescente importância
dos mercados emergentes e a agressiva competição entre as líderes mundiais
do setor.

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