Nokia procura agência digital
Gigante dos celulares redefine estratégia global das comunicações online ao
mesmo tempo em que seu market share alcança, pela primeira vez, a marca de
40%
Cibele Santos
24/01 - 13:49
A finlandesa Nokia abriu revisão para sua verba de marketing digital, de
valor não revelado, que será concentrada em uma única rede com presença
multinacional. Segundo notícia do BrandRepublic desta quinta-feira, 24, a
rede vencedora (representada por uma ou mais agências) assumirá as
comunicações online da maior fabricante de celulares do mundo, o que inclui
desde estratégia digital até propaganda online e web design. Hoje, as verbas
são divididas em bases locais entre diferentes agências, como a Farfar na
Suécia, a R/GA nos EUA e a Agency Republic no Reino Unido.
A revisão, que sinaliza um foco maior em ações online, é mais um passo do
reposicionamento estratégico iniciado em julho de 2007 com a indicação da
independente Wieden & Kennedy (EUA) para a criação global, enquanto a JWT
foi encarregada da implementação das campanhas em mais de 80 países (o
arranjo também vale para o Brasil). As medidas foram reforçadas em dezembro
passado com a promoção de Chris Leong, responsável pelo marketing na China,
para a coordenação global.
Resultados financeiros
Também nesta quinta-feira, a Nokia divulgou seu balanço de 2007, reportando
ganho de 46% dos lucros (total de 7,9 bilhões de euros, ou US$ 11,6 bilhões)
e de 15,6% das margens operacionais (contra 13,3% em 2006).
O market share global do último trimestre do ano atingiu pela primeira vez a
marca de 40%, contra 39% no trimestre anterior e 36% no mesmo período de
2006. Com exceção da América do Norte e América Latina, todas as regiões
registraram ganhos de share.
A divisão de celulares, que entregou 133,5 milhões de aparelhos entre
outubro e dezembro (27% acima do ano anterior), gerou receita total de 7,4
bilhões de euros no trimestre (avanço de 5% sobre igual período anterior),
com os maiores crescimentos registrados no Oriente Médio, África e
Ásia-Pacífico. Mas as receitas da América do Norte, América Latina e, em
menor escala, da Europa, “caíram significativamente”. O lucro operacional
cresceu 48% (para 1,9 bilhão de euros), estimulado por melhores margens
brutas. O preço médio dos celulares, de 82 euros no 3º trimestre, avançou
para 83 euros mas continuou inferior aos 89 euros do ano anterior,
refletindo em parte a desvalorização do dólar.
Concorrentes
Segundo o britânico Financial Times, os resultados da Nokia reforçam sua
liderança sobre as rivais Samsung, da Coréia do Sul (que em 2007 substituiu
a Motorola no segundo lugar do ranking global) e a SonyEricsson (joint
venture entre a sueca Ericsson e a japonesa Sony), na quarta posição. Já a
Motorola, líder dos EUA e nº 3 do mercado, perdeu 84% dos lucros no quarto
trimestre e prevê novo prejuízo no primeiro trimestre de 2008.
De acordo com estimativas da Nokia, o mercado global de celulares cresceu
16% no 4º trimestre, para 336 milhões de celulares, somando 1,14 bilhão de
unidades nos 12 meses. Esse número será 10% maior em 2008, prevê a empresa,
mas os preços de venda continuarão pressionados pela crescente importância
dos mercados emergentes e a agressiva competição entre as líderes mundiais
do setor.
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